ARTIGO

Empreender não é para todo mundo, mas há outros bons caminhos


Por: Laisa Weber Prust*


Início de ano é sempre uma época em que as pessoas retomam seus desejos e projetos de mudança de vida.

Talvez porque sintamos que se renovam as nossas oportunidades de fazer o que gostamos, ter mais qualidade de vida, ser melhor remunerado ou apenas se divertir mais no trabalho.

A onda de empreendedorismo em que vivemos é muito benéfica e impulsiona as pessoas a sonharem com o dia em que farão o que realmente gostam através de um negócio próprio, mas empreender não é para todos.

Recentemente chegou até mim um artigo: “Why Making Your Passion Your Profession is Probably a Terrible Idea” (Por que fazer de sua paixão a sua profissão provavelmente é uma péssima ideia). Na essência ele diz que não gostar do seu emprego atual ou mesmo odiá-lo não é uma razão suficiente para desistir dele e começar um negócio full-time no ramo de atividade em que você tem prazer. Em outras palavras: sentir enorme prazer em cozinhar e criar pratos elaborados para o deleite de sua família e amigos não é suficiente para abrir um restaurante.

O artigo sugere refletir sobre três aspectos, o que pode poupar horas de execução de um plano de negócios e algumas frustrações: qual o seu sentimento quando se imagina atuando com vendas, gestão de negócios e marketing? Sim, porque ao fazer de sua paixão sua profissão você não fará o que gosta o tempo todo, parte dele será gasto com atividades necessárias para fazer o negócio prosperar. Talvez até você tenha que passar mais tempo nessas atividades do que realmente fazendo o que gosta. Mas a maior “sacada” do artigo não é essa, pois, o Sebrae alerta os novos empreendedores sobre esse fato diariamente.

Para mim a relevância do texto está na seguinte reflexão: paixões muitas vezes chegam a ser paixões porque elas não têm quaisquer expectativas. Paixões são livres, não tem obrigação em se tornar uma carreira ou salário, mas apenas prazeres. E ao pensar sobre suas paixões as pessoas as comparam com seu trabalho chato e estressante e acreditam que merecem algo melhor.

Seria maravilhoso fazer do que gosta seu ganha-pão mesmo sabendo que não fará o que gosta o dia inteiro, todos os dias da semana. Porém, ter o próprio negócio não é apenas “unir o útil ao agradável”, significa sobre tudo assumir compromissos e correr riscos, aspectos que talvez sejam o que faça você enxergar o seu trabalho atual como chato e estressante: prazos, entregas, negociações, gestão de conflitos e tantos outros desafios.

A verdade é que muitas pessoas não têm perfil para empreender, mas há outros caminhos para se realizar mais no trabalho. Identifique seus pontos fortes e em quais setores ou empresas eles seriam realmente valorizados e trace um plano para chegar lá. Há profissionais especializados que podem auxiliá-lo a sistematicamente repensar a sua carreira. E o mais importante, continue a investir o tempo livre na sua paixão, pois, o trabalho é apenas um aspecto da sua vida.


* Mestre em Psicologia (UFPR); Pós-Graduada em Gestão Estratégica de Pessoas (FAE); Graduada em Psicologia (UFPR); Consultora Parceira da ZHZ Consultores.