ARTIGO

Gestão por Competências, um Modismo Ultrapassado?


Por: Flavia Pracidelli*


A atual Gestão de Pessoas tem  requisitado um modelo  que possa responder as  atuais  demandas de complexidade e imprevisibilidade do mercado de trabalho. Nesse sentido, a  Gestão por Competências surge como uma possibilidade que agrega flexibilidade,  estratégia, consistência e que foca no principal capital das organizações, o capital  humano.

O modelo surgiu nos anos 80 como possibilidade de quantificar a qualificação pessoal que  permite um alto desempenho/performance do funcionário. Esta quantificação era possível  através do conceito de competência, que englobava o conjunto de conhecimentos,  habilidades e atitudes (CHA) do indivíduo.

A partir dos anos 90,  novos conceitos foram sendo  englobados ao que já  havia sido  elaborado por estudos anteriores. Um dos conceitos que vinha sendo utilizado até então e que passou a ser bastante criticado foi o de cargo pois já não refletia a realidade  organizacional. Com isso, foi proposto o conceito de espaço ocupacional, que seria o  conjunto de atribuições e responsabilidades de cada colaborador. Outra consideração que  foi agregada ao modelo original foi a noção de entrega para  “mensurar” a forma como  ocorre a agregação de valor do colaborador. Para que isso fosse possível, o conceito de  complexidade trouxe grande contribuição para compreender as prováveis diferenças nas  entregas individuais.  Por fim, outro item muito importante que tem sido cada vez mais aderido na  Gestão por  Competência é o essencial alinhamento das competências  individuais com as estratégias e valores organizacionais.

É possível  constatar, a partir dos  conceitos anteriores  e  das novas  considerações que  embasam o modelo, que a competência  passa, cada vez mais, a ser atribuída tanto à  organização quanto aos colaboradores. Ou seja, ao mesmo tempo em que a organização  dá subsídios para o colaborador se desenvolver, o indivíduo utiliza seu aprendizado para  agregar valor à organização.

A Gestão por Competências, dessa forma, surge como excelente possibilidade de  resposta à demanda atual de valorização do capital humano, focando no  desenvolvimento do colaborador que acarretará, inevitavelmente, à um retorno positivo  para a organização.

O complexo contexto atual de constante mudança requer um modelo que torne possível  a agregação de valor e a comunicação de uma maneira mais holística para  a empresa.  Nesse sentido, a Gestão por Competências permite uma  área  de Gestão de Pessoas  associada ao intento estratégico da organização, possibilitando a comunicação com  outras equipes a partir de um referencial comum e compartilhado  – as competências,  acarretando em um maior alcance de resultados.

Com isso, é possível perceber como o  a Gestão por Competência  não  se trata de  modismo, mas de um modelo  que se presta a embasar uma  prática de  Gestão de  Pessoas cada vez mais consistente e atualizada com a demanda atual de negócio.


* Formanda do curso de Psicologia (UFPR); estagiária da ZHZ Consultores (2013).